Em maio de 2026, o Governo do Rio de Janeiro formalizou um pedido ao Ministério da Justiça para a compra de fuzis anti-drone. No mesmo mês, a Polícia Civil do Rio criou a Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas (Coant), uma estrutura dedicada exclusivamente ao uso institucional e ao combate de drones em operações policiais. E as investigações da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública revelaram algo ainda mais perturbador: o Comando Vermelho estaria financiando a ida de integrantes para atuar como voluntários na guerra entre Ucrânia e Rússia, com o objetivo de trazer ao Brasil técnicas de combate e treinamento no uso de drones de grande porte.
Quando o próprio Estado reconhece publicamente que não tem tecnologia suficiente para combater drones criminosos e precisa construir estruturas emergenciais para isso, uma mensagem fica clara para o setor privado: a ameaça aérea evoluiu muito além do que os sistemas de segurança convencionais foram projetados para enfrentar.
A tecnologia anti-drone deixou de ser um recurso exclusivo de forças militares e passou a ser um requisito real para instalações críticas, presídios, centros logísticos e qualquer operação que o crime organizado possa ter interesse em monitorar, sabotar ou explorar.
O que está acontecendo com os drones criminosos no Rio de Janeiro
Os números são expressivos. Drones agrícolas, normalmente utilizados em pulverização de lavouras, estão sendo adaptados pelo crime organizado para transportar até 80 quilos de carga, o equivalente a cerca de 20 fuzis dos modelos FAL ou AR-15. Essas aeronaves conseguem percorrer até 12 quilômetros sem necessidade de pouso, cobrindo com facilidade a distância entre comunidades, presídios e alvos estratégicos.
Imagens captadas por aeronave da Polícia Militar flagraram um treinamento realizado por criminosos em área aberta do Complexo do Alemão, com ao menos dez homens próximos a um drone de aproximadamente três metros de comprimento, momentos antes da decolagem. Segundo as investigações, o treinamento estava sendo conduzido por um brasileiro com experiência de combate na Ucrânia.
O uso de drones pelo crime organizado no Rio não é recente: em 2024, um cabo da Marinha foi preso pela Polícia Federal suspeito de operar drones para o Comando Vermelho. O que mudou em 2026 é a escala, a sofisticação e a organização por trás das operações.
A resposta institucional confirma a gravidade do cenário. A criação da Coant pela Polícia Civil, o pedido de fuzis anti-drone ao Ministério da Justiça e os equipamentos adquiridos com sensores térmicos, câmeras noturnas, reconhecimento facial e transmissão em tempo real mostram que o Estado está tentando recuperar uma vantagem tecnológica que o crime organizado conquistou mais rápido do que as instituições conseguiram acompanhar.
Por que isso importa para além da segurança pública
A narrativa dos drones criminosos no Rio de Janeiro pode parecer distante da realidade de uma usina solar no Nordeste, de uma mineradora em Minas Gerais ou de um centro de distribuição em São Paulo. Não está.
O crime organizado brasileiro não opera em silos. As mesmas organizações que usam drones para transportar armas entre favelas usam drones para reconhecimento de instalações antes de ações de roubo de carga, para monitorar a movimentação de equipes de segurança em perímetros industriais e para coordenar invasões em propriedades rurais.
O que acontece no Rio em 2026 é o laboratório do que chega ao restante do país em seguida. E a sofisticação que o Comando Vermelho adquiriu com treinamento em zona de guerra não vai ficar restrita às favelas cariocas.
Para gestores de segurança patrimonial, a pergunta relevante não é “isso pode acontecer com a minha instalação?” A pergunta é “meu sistema de segurança atual consegue detectar um drone não autorizado sobrevoando meu perímetro?”
Na maioria dos casos, a resposta é não.
O que é a tecnologia anti-drone e como ela funciona
A tecnologia anti-drone, também chamada de C-UAS (Counter Uncrewed Aerial Systems), é o conjunto de sistemas desenvolvidos para detectar, rastrear e, quando necessário, neutralizar aeronaves não tripuladas não autorizadas.
No contexto da segurança perimetral privada, o foco está na detecção e no rastreamento: identificar a presença de um drone hostil antes que ele complete seu objetivo, seja reconhecimento, transporte de materiais ou coordenação de uma invasão.
A detecção por radiofrequência é a abordagem mais eficaz para esse fim. Sistemas como o R2 Wireless, disponível no portfólio da Ôguen, monitoram continuamente o espectro de radiofrequência ao redor da instalação e identificam os sinais emitidos por drones em operação, mesmo quando operam em modo silencioso ou com câmera desligada.
O processo funciona assim:
Monitoramento contínuo do espectro RF. O sistema varre permanentemente as frequências utilizadas por drones comerciais e adaptados, identificando qualquer emissão não autorizada nas imediações da instalação.
Identificação e classificação. Quando um sinal é detectado, o sistema classifica o tipo de drone, o modelo quando possível e a direção de aproximação, diferenciando aeronaves autorizadas de não autorizadas.
Alerta em tempo real. O operador recebe o alerta com a localização aproximada do drone e do operador em solo, permitindo que a equipe de segurança tome as medidas adequadas antes que o drone chegue ao objetivo.
Rastreamento contínuo. O sistema acompanha o movimento do drone durante toda a operação, fornecendo informações atualizadas sobre trajetória e altitude.
Esse processo é completamente independente de condições visuais: funciona de noite, com neblina, com chuva e independentemente da altitude de operação do drone.
A diferença entre detectar e neutralizar
Um ponto importante para gestores que avaliam tecnologia anti-drone é a distinção entre detecção e neutralização.
A neutralização de drones, por meio de jamming de sinal, interceptação física ou outros métodos, é regulada no Brasil pela ANATEL e pela legislação de telecomunicações, e seu uso por agentes privados tem restrições legais. Por isso, o foco da tecnologia anti-drone no setor privado é a detecção e o rastreamento, que não têm restrições para uso civil e entregam o que a segurança perimetral realmente precisa: informação antecipada para resposta eficaz.
Quando a equipe de segurança sabe que há um drone não autorizado sobrevoando o perímetro, ela pode acionar protocolos específicos: alertar a equipe de campo, registrar a ocorrência, acionar autoridades competentes e proteger o ativo que pode estar sendo monitorado. Tudo isso antes de qualquer ação direta.
A detecção antecipada é o mesmo princípio que rege toda a filosofia de segurança perimetral moderna: agir antes, não reagir depois.
Tecnologia anti-drone nas principais verticais
Presídios e unidades de detenção. O uso de drones para transporte de celulares, entorpecentes e armas para dentro de unidades prisionais é o cenário mais documentado no Brasil. A detecção por RF identifica a aproximação do drone antes que ele alcance o espaço aéreo da unidade, permitindo que a equipe de segurança intercepte a operação ainda em sua fase inicial.
Centros logísticos. Grupos criminosos usam drones para reconhecimento prévio de instalações antes de ações de roubo de carga, mapeando posições de câmeras, guaritas e equipes de ronda. A detecção anti-drone interrompe esse reconhecimento antes que o planejamento da ação criminosa se complete.
Instalações de energia e infraestrutura crítica. Sabotagem de subestações, transformadores e sistemas de controle pode ser coordenada com apoio de reconhecimento aéreo. Usinas solares, hidrelétricas e subestações em áreas remotas são especialmente vulneráveis por operarem com equipes reduzidas e sem cobertura visual eficaz do espaço aéreo imediato.
Mineradoras e propriedades rurais. Operações de extração ilegal e invasões organizadas em propriedades remotas frequentemente utilizam drones para mapear o terreno, identificar a posição de equipamentos de valor e monitorar a movimentação das equipes de segurança antes da ação.
Grandes eventos e instalações de alta segurança. A experiência internacional confirma a tendência: o México preparou operação anti-drone para o Mundial 2026 e os EUA alocaram US$ 500 milhões para defesa anti-drone nos jogos realizados em território americano. O que começa como medida de segurança em grandes eventos se torna padrão para instalações críticas em seguida.
R2 Wireless: tecnologia anti-drone do portfólio Ôguen
O R2 Wireless é o sistema de detecção e rastreamento de drones disponível no portfólio da Ôguen, desenvolvido para operar em ambientes de segurança perimetral privada e pública.
Baseado em monitoramento de radiofrequência, o sistema detecta drones a partir do momento em que são ligados, mesmo antes de decolar, identificando o sinal de comunicação entre o dispositivo e seu operador em solo. Isso amplia significativamente a janela de resposta disponível para a equipe de segurança.
O R2 Wireless se integra com os demais sistemas do ecossistema Ôguen, incluindo os Radares Magos e os Drones de Segurança Easy Aerial, criando uma arquitetura completa de segurança perimetral que cobre as três dimensões do perímetro: subterrâneo, terrestre e aéreo.
A implementação é feita por integradores certificados pela Ôguen, que realizam o diagnóstico da instalação, definem os pontos de cobertura do espectro RF e configuram os protocolos de alerta e resposta adequados para cada tipo de instalação.
O que o Rio de Janeiro ensina para o setor privado
A sequência de eventos no Rio em maio de 2026 conta uma história que o setor privado precisa ouvir: o Estado, com todos os seus recursos e estrutura, não estava preparado para o nível de sofisticação que os drones criminosos atingiram. Precisou criar uma coordenadoria de emergência, pedir equipamentos ao governo federal e reconhecer publicamente a defasagem tecnológica.
O setor privado raramente tem os recursos institucionais que o Estado tem para reorganizar sua resposta de segurança em tempo de crise. Por isso, a preparação precisa ser antecipada.
Instalações que já têm tecnologia anti-drone implementada não precisam reagir quando um drone não autorizado aparece sobre seu perímetro. Elas já estão detectando, rastreando e respondendo antes que o operador do drone perceba que foi identificado.
Essa é a diferença entre segurança reativa e segurança perimetral inteligente.
Quer entender como a tecnologia anti-drone se aplicaria à sua instalação? Entre em contato com a Ôguen.




