A guerra entre Rússia e Ucrânia deixou de ser apenas um conflito regional para se tornar um manual prático sobre a guerra moderna. Mais do que tanques, caças ou grandes efetivos, o conflito expôs uma realidade incontornável: quem domina sensores, drones, inteligência e integração tecnológica controla o campo de batalha.
As lições desse conflito extrapolam o ambiente militar tradicional e dialogam diretamente com segurança nacional, proteção de infraestruturas críticas, fronteiras, eventos de grande porte e ativos estratégicos , temas centrais também para o Brasil.

Tecnologias acessíveis e guerra assimétrica: o novo equilíbrio de poder
Um dos aprendizados mais claros do conflito é o papel decisivo de tecnologias acessíveis e assimétricas. Drones comerciais adaptados, plataformas FPV, sistemas de baixo custo e fácil produção passaram a desempenhar funções que antes exigiam meios militares sofisticados.
Na Ucrânia, drones foram usados para:
- Vigilância contínua
- Ataques de precisão
- Saturação de defesas
- Operações kamikaze
- Correção de fogo de artilharia
Esse cenário demonstra que o risco não vem apenas de grandes plataformas militares, mas de ameaças híbridas, improvisadas e difíceis de prever — exatamente o tipo de desafio que hoje impacta fronteiras, prisões, portos, usinas, eventos e áreas urbanas.
Inteligência artificial e integração de sensores: da informação à decisão
Outro fator determinante foi o uso intensivo de inteligência artificial e integração de dados. A capacidade de reunir informações de múltiplos sensores, drones, radares, imagens, sinais eletrônicos e transformá-las rapidamente em decisão operacional mudou a dinâmica do conflito.
Não se trata apenas de “ver mais”, mas de:
- Antecipar movimentos
- Reduzir incerteza
- Diminuir tempo de resposta
- Evitar decisões baseadas apenas em percepção humana
Essa lógica é a mesma que hoje se aplica à segurança perimetral moderna e à defesa de infraestruturas críticas: detectar antes, classificar corretamente e agir com precisão.
Logística, descentralização e resiliência operacional
A guerra também evidenciou que logística e comando centralizado são pontos de vulnerabilidade. Linhas de suprimento longas, decisões lentas e estruturas rígidas se tornaram alvos fáceis.
A resposta veio por meio de:
- Descentralização do comando
- Uso de drones para proteção logística
- Sensores para vigilância de rotas
- Redução da dependência de infraestrutura pesada
Para o Brasil, um país com território continental, áreas remotas, fronteiras extensas e ativos estratégicos espalhados essa lição é especialmente relevante. Segurança eficaz exige autonomia, redundância e tecnologias que funcionem mesmo em ambientes adversos.
Defesa em camadas: do espaço aéreo ao solo
Talvez a maior lição estratégica seja a consolidação da defesa em camadas. Nenhuma tecnologia isolada é suficiente. O sucesso operacional depende da integração entre:
- Sensores de longo alcance
- Detecção aérea e terrestre
- Inteligência artificial
- Meios de resposta proporcionais
O conflito mostrou que ignorar o espaço aéreo de baixa altitude é um erro estratégico. Drones, sejam militares ou improvisados, tornaram-se ferramentas centrais de vigilância, ataque e sabotagem.
Essa realidade dialoga diretamente com os desafios brasileiros na proteção de:
- Infraestruturas energéticas
- Portos e áreas costeiras
- Fronteiras terrestres
- Instalações estratégicas
- Grandes eventos
Dissuasão moderna: tecnologia como fator de prevenção
A guerra entre Rússia e Ucrânia reforça um ponto essencial: dissuasão não é apenas força bruta, é capacidade tecnológica visível e integrada. Sistemas capazes de detectar, rastrear e neutralizar ameaças antes que causem impacto reduzem drasticamente a probabilidade de incidentes.
No mundo atual, acordos e tratados não substituem capacidade operacional real. A soberania, seja nacional ou operacional, depende da capacidade de antecipar riscos e reagir com precisão.
O alerta é claro e já é realidade
As lições desse conflito não são teóricas nem distantes. Elas já se refletem em desafios reais enfrentados no Brasil, desde o uso criminoso de drones até ameaças a infraestruturas críticas e operações sensíveis.
A segurança do futuro e do presente não será definida pelo número de câmeras ou pela força ostensiva, mas pela integração inteligente de sensores, IA, drones e camadas de proteção.
Na ÔGUEN, essa visão não é tendência nem discurso.
Ela já é realidade operacional, aplicada diariamente na proteção de ativos estratégicos, perímetros críticos e operações complexas.




