Imagens obtidas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro mostram uma fila de dezenas de pessoas aguardando para participar de um curso de pilotagem de drones oferecido por integrantes do Comando Vermelho no Complexo da Penha, na Zona Norte da cidade. O registro, feito há cerca de duas semanas, revela algo mais preocupante do que o uso isolado de um drone: uma operação estruturada de capacitação em escala para formar novos operadores.
A capacitação ensina o manejo de equipamentos que o crime organizado já adapta para funções de vigilância e, em casos documentados anteriormente, para lançamento de explosivos artesanais contra rivais. Formar operadores em fila, com dezenas de participantes, significa multiplicar a capacidade operacional da facção de forma deliberada e organizada, não depender de poucos indivíduos com conhecimento técnico.
Esse achado, somado a outra descoberta da própria investigação, mostra uma dimensão do problema que vai além do uso ofensivo de drones: o crime está se adaptando ativamente para dificultar que ele próprio seja monitorado do alto.

A adaptação camuflada: 84 dias que mudaram a paisagem
A Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil comparou imagens de satélite do Complexo da Penha registradas em novembro de 2025 com imagens aéreas mais recentes, de fevereiro de 2026. Em um intervalo de apenas 84 dias, pontos que antes eram visíveis do alto foram deliberadamente cobertos.
Entre as adaptações identificadas está uma piscina construída sobre uma laje, especificamente posicionada para dificultar a identificação de movimentação por câmeras e drones de monitoramento aéreo. A escolha de cobrir pontos estratégicos com construções de alvenaria em um intervalo tão curto indica planejamento deliberado, não uma coincidência de reformas urbanas.
Essa combinação, formação de operadores em escala e camuflagem ativa contra vigilância aérea, mostra uma organização criminosa que pensa a relação com o espaço aéreo em duas frentes simultâneas: usar drones como ferramenta própria e dificultar que drones de terceiros a monitorem.
O risco que vai além do território das facções
A investigação da Polícia Civil identificou ainda que drones vinculados à facção já foram registrados sobrevoando rotas de helicópteros e aeronaves do Aeroporto de Jacarepaguá, criando risco real de colisão com aeronaves em operação legítima. Isso demonstra que o problema não fica contido dentro dos limites da comunidade: drones operados sem qualquer controle de tráfego aéreo representam risco para a aviação civil e para operações policiais que dependem de helicópteros.
Na semana anterior ao registro do curso, um drone lançou uma granada contra um trailer na comunidade do Canal, em Vargem Grande, reforçando que a capacitação em massa não é uma medida preventiva ou defensiva: ela serve para sustentar e escalar um padrão de ataque que já está em curso.
Por que a formação em escala é mais grave do que um caso isolado
Casos anteriores de uso de drones pelo crime organizado, como o reconhecimento aéreo antes de invasões a usinas solares ou o transporte de drogas em presídios, geralmente dependiam de operadores individuais ou de pequenos grupos com conhecimento técnico específico.
Um curso com fila de participantes muda essa equação. Significa que a capacidade de operar drones deixa de ser um recurso escasso dentro da estrutura criminosa e passa a ser uma habilidade distribuída entre dezenas de integrantes. Na prática, isso significa mais pontos de origem possíveis para um ataque, mais dificuldade para as forças de segurança identificarem um padrão único de operador e maior capacidade de sustentar operações simultâneas em diferentes áreas.
Para instalações que já monitoram o risco de drones hostis, como usinas, presídios, data centers e centros logísticos, a formação em escala de operadores reforça a importância da detecção anti-drone: a probabilidade de um drone não autorizado se aproximar não depende mais de um único indivíduo com conhecimento raro. Depende de uma rede crescente de pessoas capacitadas, o que estatisticamente aumenta a frequência potencial desse tipo de ameaça.
Como a detecção anti-drone da Ôguen responde a esse cenário
A resposta técnica para uma ameaça que se multiplica em número de operadores não é tentar identificar quem está pilotando. É garantir que qualquer drone não autorizado, independente de quem o opera, seja detectado antes de completar sua aproximação.
O R2 Wireless monitora o espectro de radiofrequência ao redor de uma instalação e identifica drones pelo sinal de comunicação.
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O Radar de Drones Magos complementa essa detecção rastreando o objeto físico no ar, de forma independente de qualquer sinal de rádio, cobrindo inclusive drones operados por métodos que escapam da detecção por RF.
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Como a formação de novos operadores não elimina a necessidade de o drone se comunicar por rádio ou de aparecer fisicamente no espaço aéreo, essas duas camadas de detecção continuam eficazes independentemente de quantas pessoas o crime organizado treine para pilotar.
O que este caso ensina sobre segurança perimetral no Brasil
O Complexo da Penha demonstra que o crime organizado brasileiro trata drones como um recurso estratégico de longo prazo, investindo em formação de pessoal e em contramedidas contra vigilância, não apenas em equipamentos avulsos. Isso é o retrato de uma organização que planeja a manutenção dessa capacidade ao longo do tempo, não um recurso pontual para uma única ação.
Para qualquer instalação crítica no Brasil, seja ela pública ou privada, o dimensionamento do risco de ataques ou reconhecimento por drone precisa considerar que o número de operadores capacitados pelo crime organizado está em expansão ativa, não é estático.
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